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8 de Agosto de 2022

A realidade do primeiro ano de Advocacia da maioria dos Advogados e como amenizar as dificuldades enfrentadas

Você é jovem Advogado ou está cursando os últimos períodos do curso de Direito? Se sim, esse texto é para você.

Marcelli Morais Rangel, Advogado
há 2 anos

 No dia 26 de setembro de 2019, realizei o juramento e recebi a tão sonhada carteira da OAB na sede da 12ª subseção da OAB, em Campos dos Goytacazes/RJ.

 Como todo advogado iniciante, saí eufórica daquela cerimônia. Nos minutos seguintes, contudo, comecei a pensar no que enfrentaria pela frente, já que nunca havia realizado nenhum estágio em escritório de Advocacia, mas somente em órgãos públicos, razão pela qual não possuía a mínima ciência de como conquistar clientes, precificar meu trabalho e me organizar financeiramente.

 Então, no presente texto contarei aos jovens Advogados (assim como eu) e estudantes de Direito que estão cursando os últimos períodos da graduação, o que fiz para amenizar as dificuldades enfrentadas no primeiro ano de advocacia, citando as experiências que deram certo e as que não deram.

 Pois bem.

 No início da graduação, como quase todos os estudantes de Direito, não sabia que carreira iria seguir, principalmente pelo fato de que a graduação em Direito abre um leque de possibilidades. Durante a faculdade, todavia, especialmente a partir do terceiro ano, passei a consultar os mais diversos sites a fim de pesquisar sobre estágio de pós-graduação, programas de residência jurídica, correspondência jurídica e vagas para advogados iniciantes, visando realizar o planejamento para o meu início na Advocacia.

 Foi assim que, ainda durante a graduação, realizei a inscrição em dois famosos sites de correspondência jurídica, experiência esta que em nada me acrescentou, eis que não cheguei a realizar nenhuma diligência. O motivo é simples, assim como ocorre na advocacia em muitos casos, há na correspondência jurídica uma infeliz busca por serviços realizados de forma barata, ou seja, serviços prestados por estudantes cujo pagamento muitas vezes sequer é suficiente para cobrir o preço da passagem e de um lanche digno.

 Após a mencionada experiência acima, nada agradável como já dito, por já gostar de Direito Penal, iniciei uma pós-graduação ainda estando cursando a faculdade, no último período (algumas faculdades permitem que isto seja feito), para tentar um estágio de pós graduação após me formar na faculdade e realizei provas para os programas de residência jurídica do meu Estado nos últimos períodos da faculdade (Procuradoria do Município do Rio de Janeiro, Procuradoria do Estado do Rio de Janeiro, Defensoria Pública do Rio de Janeiro etc). Sobre o aqui citado, devo dizer que foram ótimas escolhas.

 A ideia de realizar iniciar uma pós-graduação ainda no nono período da universidade foi ótima, não só por ter me formado da pós-graduação pouco tempo após a colação de grau em Direito, mas porque me permitiu conhecer pessoas que já atuavam na advocacia e puderam me orientar com excelência sobre essa fase inicial.

 Quanto à realização de provas para programas de residência jurídica, foi o que me salvou, confesso (especificamente para a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro). A carga horária reduzida aliada ao auxílio mensal, a prática adquirida na confecção de peças processuais e a não proibição de advogar tornaram o início na Advocacia mais suave para mim.

 Porém, se você está se formando em Direito agora ou acabou de receber sua carteira da OAB, saiba que não existem somente as opções acima. Há, por exemplo, a possibilidade de, mesmo que ganhando bem pouco, o jovem advogado realizar a inscrição como advogado dativo na Justiça Federal do seu Estado (vale tentar na estadual, em locais em que não há a Defensoria Pública), assim como a possibilidade de entrega de currículo em locais em que cargos de assessor jurídico e assistente são comissionados (ex: Ministério Público de alguns Estados), principalmente para quem já estagiou nestes locais.

 Em último caso (na minha opinião), resta a entrega de currículos em escritórios grandes e pequenos de Advocacia (inclusive com a proposta de implementação, no escritório, da área na qual o advogado tenha se especializado) e a Advocacia por conta própria, sem o auxílio de um escritório. Neste último caso, será um pouco mais complicado e o conselho é que se inicie cobrando para ajuizar a ação (e pela consulta) e se invista mais nas ações que tramitam nos juizados especiais cíveis federais e estaduais e nas varas de família (especialmente ações de alimentos), eis que são as que normalmente transitam em julgado mais brevemente (mesmo assim demoram).

 Outra dica muito importante é: faça contatos, seja durante os estágios remunerados ou não (com os servidores públicos ou sócios os escritórios), durante as aulas (com os professores e alunos) e principalmente durante as reuniões da OAB Jovem de sua cidade (seja você advogado ou estudante de Direito).

 Por fim, se você acabou de se tornar advogado ou está nos últimos períodos do curso de Direito, a dica que fica é a seguinte: seja aquela pessoa que visa sempre encontrar alternativas para facilitar o tão árduo início na advocacia, especialmente em tempos de pandemia, o mais cedo possível. Não perca oportunidades! Não espere receber sua carteira da OAB para planejar seu início na advocacia! Saia na frente dos demais!

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11 Comentários

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muito bom os conselhos. O inicio e muito dificil. O retorno financeiro demora. continuar lendo

Fico feliz que tenha gostado! Agradeço pela participação! continuar lendo

Interessante sua experiência e legal tê-la compartilhado . Eu estou no 8º período, quero me dedicar à carreira jurídica, e fico me perguntando o que fazer quando termine a faculdade! continuar lendo

Só de estar lendo sobre o assunto, já é um diferencial. Boa sorte na sua caminhada e obrigada pela participação. continuar lendo

Parabéns pelo artigo, Dra!

Eu já tenho 1 ano de advocacia e sei muito bem o quão é difícil, sendo que descobri no susto que não basta saber Direito, deve-se ter conhecimento de marketing, administração, design, programação e até um pouco de psicologia. continuar lendo

Pura verdade, Dr.
O Advogado tem que entender de tudo um pouco e saber o que não se aprende na universidade.
Boa sorte em sua caminhada. Forte abraço! continuar lendo

Parabéns Dra.Marcelli !!! muito bom o artigo, um verdadeiro estímulo para nós, iniciantes na carreira, com dicas importantes e práticas !! continuar lendo

Que bom que gostou. Obrigada! ;) continuar lendo